#Cientwistas – Rachel Carson

Por Victor Caparica

A cientista de hoje é uma mulher que não teve muita sorte na vida, mas que muita gente teve muita sorte dela viver. Ela nasceu numa fazendinha nos EUA em 1907, e se chamava Rachel Louise Carson.

Seus pais tavam sempre fodidos com grana, mas cuidaram bem da educação dela, principalmente comprando bons livros. Pensem numa menina que cresceu numa fazenda, escreveu o primeiro conto aos 8 anos e publicou o primeiro aos 11.

Ela foi a primeira da turma na High School, mas por falta de grana demorou pra aceitar a vaga oferecida no John Hopkins Institute. Daí sim ela foi pro Johns Hopkins, em 1929, onde obteve seu Mestrado em Zoologia. Importante notar uma coisa aqui: desde o 1º ano de graduação ela trabalhou 8 horas por dia pra poder pagar os estudos, porque os pais dela não tinham dinheiro.

E foi aí, quando ela ia fazer doutorado, que o pai dela morreu, e ela teve que parar as pesquisas pra trabalhar mais ainda. Porque agora ela tinha que sustentar a família, e foi o que ela fez, trabalhou duro e segurou a barra da galera. E agora vem o plot twist. Porque ela foi trabalhar no Ministério da Pesca, e como qualquer pessoa confinada num trabalho chato ela achou um jeito de se distrair.

Ela escreveu um livro, uma história contando a história da vida nos mares. Chamava-se Under the Sea Wind. Vendeu bem pouco.

Mas e daí que vendeu bem pouco? Ela tava curtindo e resolveu escrever o segundo, que se chamaria The Sea Around Us. The Sea Around Us passou 86 semanas consecutivas na lista de mais vendidos do New York Times. Até analfabeto tava lendo o livro da Rachel.

O livro ganhou todos os prêmios que um livro podia ganhar, ela recebeu dois doutorados honorários e ficou rycah. The Sea Around Us virou um documentário, que ganhou o Oscar de melhor documentário em 1953. Seriously rycah.

E pouco depois disso ela conheceu uma mulher chamada Dorothy Freeman, que foi provavelmente a pessoa mais importante de sua vida.

Não vou entrar na questão da orientação sexual, até porque acho que é o que menos importa na história dessas duas mulheres. O que importa é que elas foram a coisa mais importante na vida uma da outra, e foi um amor que durou até o fim.

Bem nessa época a Rachel começou a pesquisar conservação ambiental, e se interessou por uma ameaça que ninguém então temia.Era o DDT, lembram dele, da música do Raul? “…pois nem o DDT pode assim me exterminar”? Então. DDT era o inseticida milagroso da época, infalível, barato, inofensivo para o ser humano. Ou pelo menos era o que o fabricante dizia.

Mas a Carson leu uns artigos sobre DDT e carcinogênese e encasquetou. E uma vez encasquetada foi até o fim, e comprou uma guerra contra a Dupont e a Velsicol, indústrias químicas. Um dos químicos na época declarou que uma mulher bonita como a Carson não ser casada era claro sintoma de desvio de personalidade.

Essa guerra terminou com a publicação de The Silent Spring (1962), um dos livros mais importantes do século 20. Nele, Rachel Carson expõe a ameaça dos inseticidas químicos e seu efeito comprovadamente carcinogênico, listando inclusive casos médicos. A comunidade científica abraçou bem abraçado o discurso do livro, e uma das conseqüências foi a criação da Environmental Protection Agency.

Silent Spring é considerado o livro historicamente mais relevante no processo de conscientização sobre o impacto ambiental do progresso.

Rachel Carson morreu aos 56 anos. Pouco antes, ela e Dorothy destruíram a grande maioria de suas correspondências. O que julgaram adequado deixar foi publicado em 1995 no livro “Always, Rachel: The letters from Rachel Carson and Dorothy Freeman”.

Em 2007 a comunidade científica celebrou o centenário de nascimento de Rachel Carson.

Essa estátua dela foi colocada no Museu Rocsen, na Argentina.

RachelCarson

E essa foi a história de Rachel Carson, outra pessoa importantíssima para a humanidade cujo nome pouca gente conhece.

Para acessar outros textos da série #Cientwistas, clique aqui.

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