Os Quatro Motivos de Carl Sagan para transmitir a Ciência

Não é novidade para ninguém que Carl Sagan é um dos maiores divulgadores científicos da história, se não o maior. O Victor Caparica fez um resumo sensacional da vida dele aqui. E um dos exemplos dessa capacidade de divulgação científica dele é um de seus livros finais, O Mundo Assombrado Pelos Demônios.

Ler o livro inteiro é ótimo, mas nesse texto a intenção é se concentrar nos quatro motivos pelos quais a transmissão da Ciência pelos meios de comunicação é importante. Vamos a eles:

Apesar das inúmeras oportunidades de mau emprego, a ciência pode ser o caminho propício para vencer a pobreza e o atraso nas nações emergentes. Ela faz funcionar as economias nacionais e a civilização global. Muitas nações compreendem essa realidade. Por isso que tantos estudantes de pós-graduação em ciência e engenharia nas universidades norte-americanas – que ainda são as melhores do mundo -vêm de outros países. O corolário, que os Estados Unidos às vezes deixam de compreender é que abandonar a ciência é o caminho de volta à pobreza e ao atraso.

Em suma: a ciência é a melhor forma de promover crescimento econômico com inclusão social, desenvolvendo a noção de que o conhecimento é o ativo imaterial mais importante que existe.

A ciência nos alerta contra os perigos introduzidos por tecnologias que alteram o mundo, especialmente o meio ambiente de que nossas vidas dependem. A ciência providencia um sistema essencial de alerta antecipado.

A ciência, com sua metodologia que concilia ceticismo e curiosidade para descobrir respostas melhores e mais consistentes, tem capacidade preditiva superior a qualquer outro método de natureza mística. E, com essa capacidade preditiva, é possível prevenir o mundo de catástrofes ou de situações desagradáveis. Um exemplo claro dessa sensação de alerta é que desde 1945 ninguém solta bombas nucleares em lugares povoados.

A ciência nos esclarece sobre as questões mais profundas das origens, naturezas e destinos – de nossa espécie, da vida, de nosso planeta, do Universo. Pela primeira vez na história humana somos capazes de adquirir uma verdadeira compreensão desses temas. Toda cultura sobre a Terra tem tratado deles e valorizado a sua importância. Todos nós nos sentimos tolos, quando abordamos essas questões grandiosas. A longo prazo, a maior dádiva da ciência talvez seja nos ensinar, de um modo ainda não superado por nenhum outro empenho humano, alguma coisa sobre nosso contexto cósmico, sobre o ponto do espaço e do tempo em que estamos, e sobre quem nós somos.

A ciência é a melhor forma de ensinar as melhores coisas que a humanidade pode ensinar. A ciência ajuda-nos a descobrir quem somos e onde estamos, com precisão e método, melhor que qualquer outra forma de conhecimento.

Os valores da ciência e os da democracia são concordantes, em muitos casos indistinguíveis. A ciência e a democracia começaram – em suas encarnações civilizadas – no mesmo tempo e lugar, na Grécia dos séculos VI e VII a.C. A ciência confere poder a qualquer um que se der ao trabalho de aprendê-la (embora muitos tenham sido sistematicamente impedidos de adquirir esse conhecimento). Ela se nutre – na verdade necessita – do livre intercâmbio de idéias; seus valores são opostos ao sigilo. A ciência não mantém nenhum ponto de observação especial, nem posições privilegiadas. Tanto a ciência como a democracia encorajam opiniões não convencionais e debate vigoroso. Ambas requerem raciocínio adequado, argumentos coerentes, padrões rigorosos de evidência e honestidade. A ciência é um meio de desmascarar aqueles que apenas fingem conhecer. Um baluarte contra o misticismo, contra a superstição, contra a religião mal aplicada a assuntos que não lhe dizem respeito. Se somos fiéis a seus valores, ela pode nos dizer quando estamos sendo enganados. Ela fornece a correção de nossos erros no meio do caminho. Quanto mais difundidos forem a sua linguagem, regras e métodos, melhor a nossa chance de preservar o que Thomas Jefferson e seus colegas tinham em mente. Mas os produtos da ciência também podem subverter radicalmente a democracia, de um modo jamais sonhado pelos demagogos pré-industriais.

O fomento da ciência é a melhor forma de promover a democracia em uma sociedade, porque os valores da ciência e da democracia não são apenas concordantes – em muitos aspectos, são complementares.

Por isso a divulgação científica é tão importante. Ela promove inclusão, previne contra problemas futuros, ensina ao homem acerca daquilo que ele é, e, finalmente, promove sistemas de governo mais justos, porque o método científico depende essencialmente de democracia e de liberdade para sobreviver.

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