#Cientwistas – George Washington Carver

Por Victor Caparica

Hoje é 13 de Maio, aniversário da abolição da escravatura no Brasil, e uma data muito oportuna para falar desse .

Nem todos os grandes pesquisadores trabalham de jaleco branco em laboratórios limpos e climatizados. Alguns, como George Washington Carver, dão suas contribuições arando, cultivando e observando a terra, e aprendendo com ela.

Ele nasceu por volta de 1860, filho de escravos, em uma fazenda de algodão no Missouri, EUA, e tinha mais 10 irmãos. Quando criança, foi seqüestrado com o restante de sua família por saqueadores que invadiram a fazenda e os levaram para serem revendidos. De toda a família, somente George sobreviveu e foi resgatado pelo proprietário da fazenda, Moses Carver, que decidiu criar e educar o menino.

A esposa de Moses, Susan Carver, o ensinou a ler e a escrever, e a partir daí George começou a prosperar, apesar do racismo onipresente. Porque a escravidão havia sido abolida apenas em 1865, e a sociedade escravocrata sequer começava a se ajustar às coisas.

Mas o George queria muito mesmo estudar, e foi pra uma cidade vizinha onde uma escola primária aceitava alunos negros. Ele se formou, e começou uma jornada por High Schools que o aceitassem, até finalmente ir parar em Iowa.

Lá ele trabalhou cuidando de uma pequena propriedade agrícola, onde desenvolveu um horto e uma grande variedade de plantações. Durante esse período, George acumulou dinheiro, já que seu modo de vida era muito econômico, e experiência com a terra.

Em 1891, após conseguir um empréstimo para educação em um banco local, ele conseguiu se matricular no Iowa State Agricultural College. E se tornou o primeiro aluno negro dessa instituição. Mas isso ainda era muito pouco pro sujeito Carver.

Ele foi convidado pelos professores a fazer Mestrado, e passou dois anos pesquisando patologias e parasitoses em plantas. E ficou bom nisso. E foi então que George Washington Carver, ex-escravo das fazendas de algodão do Missouri, começou a se tornar um botânico renomado.

Em 1895, ele se tornou o primeiro homem negro a dar aulas no Agricultural College. Mas isso também ainda era pouco pro cara No ano seguinte, ele foi convidado a chefiar o Departamento de Agricultura da Universidade de Tuskegee, no Alabama. Sim, chefe. E nos 47 anos que se seguiram ele estudou e lecionou e transformou o departamento em um dos maiores centros de pesquisa agrícola do país.

oi um dos pioneiros na pesquisa com adubos orgânicos em substituição dos sintéticos na agricultura, barateando a vida do pequeno produtor. Desenvolveu técnicas inteligentes de cultivo alternado que salvaram as terras desgastadas pela monocultura do algodão.  Aperfeiçoou uma série de implementos agrícolas simples que podiam ser adquiridos por pequenos produtores sem muitos recursos. E de 1915 a 1923 ele revolucionou a produção e beneficiamento do amendoim e da soja nos EUA.

Entre comida, remédios, tintas, adesivos, plástico e biocombustível, ele criou centenas de usos para as produções agrícolas locais. Seu sistema de cultivo alternado melhorou a qualidade dos solos e favoreceu todas as colheitas resultantes, sendo usado até hoje.

Mas para esse cara não bastava ter o conhecimento, ele queria ver resultados sociais pro seu trabalho. Então ele se empenhou a vida toda em ensinar jovens agricultores negros a prosperarem em suas plantações através da ciência.

Ele conseguiu verbas para montar um caminhão que viajava por pequenas propriedades rurais ensinando gratuitamente técnicas agrícolas. E escreveu uma série de manuais, os Carver Bulletins, que distribuía para pequenos fazendeiros melhorarem suas produções. O mais famoso, “Como cultivar o amendoim e 105 formas de preparo para consumo humano”, é uma referência histórica em agricultura e nutrição.

Sua preocupação, ele dizia, era garantir condições de trabalho aos “One-horse farmers”, os agricultores mais pobres, em geral jovens negros.

Mais pro fim da vida, ele criou a George Washington Carver Foundation, que ainda hoje realiza e financia pesquisas em agricultura e nutrição. Esse ex-escravo deu consultoria técnica pessoal para Franklin Roosevelt e conheceu pessoalmente outros 2 presidentes dos EUA.

Ao longo de toda a vida, Carver lutou e discursou pela inclusão de jovens negros no ensino superior norte-americano.

George Washington Carver faleceu em 5 de Janeiro de 1945, aos 78 anos, vítima de uma anemia severa. De um escravo, o acesso ao estudo o transformou no grande cientista que foi enterrado com todas as honras na Tuskegee University.

Graças a uma vida humilde, ele deixou uma substancial soma em dinheiro para financiar as pesquisas em sua fundação.

Seu epitáfio diz “Poderia ter somado fortuna à fama mas, não se importando com nenhum, encontrou felicidade e honra em ser útil ao mundo”

No Iowa State Agricultural College há uma placa com uma frase sua: “A Educação é a chave dourada para a liberdade”.

E esse, pessoas, foi o de hoje. Obrigado pela paciência, semana que vem tem mais.

(Nota do editor: esse texto foi escrito originalmente no dia 13 de maio pelo Victor no twitter, apesar da publicação aqui ter sido no dia 14)

Para acessar outros textos da série #Cientwistas, clique aqui.

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