Pesquisa define melhor seleção da história das Copas via algoritmo

(Com Technology Review)

Grafo com relacionamento entre as seleções de futebol, desenvolvido por Lazova e Basnarkov

Grafo com relacionamento entre as seleções de futebol, desenvolvido por Lazova e Basnarkov

O futebol é um esporte que reúne todo tipo de paixão mundo afora, e, agora os americanos parecem estar de fato se familiarizando com o esporte. Essa familiaridade dos americanos com o futebol é fantástica em um aspecto específico: americanos são apaixonados por estatísticas, e, quando aplicam essas estatísticas ao futebol, são capazes de coisas inimagináveis, que vão muito além do “quantos passes tal time deu em um jogo”.

Essa nova tendência de valorização de estatísticas, vista pra justificar, por exemplo, que “Messi é melhor que Maradona mas não melhor que Pelé” e que pra mostrar “como seria o 7 a 1 da Alemanha sobre o Brasil aplicado a outros esportes”, tem inspirado pesquisadores até mesmo de fora dos EUA em achar soluções estatísticas que contemplem a história e dos momentos atuais do futebol.

É o caso de Verica Lazova e Lasko Basnarkov, pesquisadores da Faculty of Computer Science and Engineering Cyril and Methodius University, em Skopje, na Macedônia. Eles fizeram um paper aplicando aos jogos de futebol entre seleções os mesmos princípios que o algoritmo que o Google usa para ranquear páginas usa, com ênfase no relacionamento entre elas. Utilizando os dados das 20 Copas do Mundo já disputadas, incluindo eliminatórias, Lazova e Baskarnov montaram um grafo mostrando os relacionamentos entre as seleções nas Copas do Mundo e verificando qual é “a melhor seleção da história” um uma análise restrita aos torneios.

Ranking dos 20 melhores países da história das Copas de acordo com o método de Lazova e Baskarnov (a 4º coluna é o Ranking histórico oficial de seleções da FIFA)

Ranking dos 20 melhores países da história das Copas de acordo com o método de Lazova e Baskarnov (a 4º coluna é o Ranking histórico oficial de seleções da FIFA)

A lista de países, que aparece ao lado, mostra algumas diferenças relevantes em relação ao ranking histórico. A Holanda é o maior exemplo: está em oitavo no ranking histórico de seleções da FIFA, mas em quarto no ranking desenvolvido pelos pesquisadores. Tchecoslováquia e Iugoslávia, que não aparecem nos rankings da FIFA por terem “cedido” seus lugares para República Tcheca e Sérvia, respectivamente, aparecem em nono e em vigésimo lugares.

Além disso, é bom ressaltar: mesmo com o desempenho da Copa de 2014, o Brasil continua sendo historicamente a melhor seleção das Copas do Mundo. Em seguida vem Itália, Alemanha, Holanda, Argentina, Inglaterra, Espanha e França. Entre os campeões mundiais, o único país que não aparece entre os dez primeiros é o Uruguai, que está em 13º lugar.

É bom ressaltar que esse trabalho só pôde ser feito graças à utilização de técnicas de classificação dos times como o ELO Rating. O ELO Rating é um ranking criado originalmente pelo professor Arpad Elo para classificar jogadores de xadrez, com uma atribuição de valor inicial e uma fórmula matemática que tem o cuidado de calcular perda e ganho de pontos de acordo com o resultado e com a qualidade do adversário, medida também através de seu ELO Rating. Os jogadores partem de 1500 anos e seu ranking sobe ou desce de acordo com os resultados obtidos, incluindo vários fatores: a força da seleção adversária, o torneio em que o jogo ocorreu e o “tamanho” da vitória, quantificando a diferença entre o “resultado obtido” e o “resultado esperado”.

Hoje em dia o ELO Rating não é usado apenas para o xadrez. Existem ELO ratings para seleções e clubes de futebol e para a NFL. A vantagem do ELO Rating é que ele permite uma análise não apenas do momento atual, mas também uma retrospectiva histórica à partir da base de dados do confronto entre seleções.

Por exemplo (e só consegui achar esses dados na Wikipédia): de acordo com o ELO Rating, a melhora seleção da história é a Alemanha da Copa de 2014, seguida da Hungria da Copa de 1954 e do Brasil da Copa de… 1962.

Pode não parecer totalmente coerente e dar margem a infinitas discussões. Mas é inegável a capacidade dos americanos (e de outros pesquisadores, como Lazova e Basnarkov), de enriquecer o futebol com modelos de análise que até pouco tempo atrás pareciam inimagináveis.

Com colaboração de Charles Nisz

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