Software desenvolvido na Unicamp reconhece vozes de animais

(com FAPESP)

Uma equipe de pesquisadores da da Fonoteca Neotropical Jacques Vielliard (FNJV) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em colaboração com colegas dos Laboratórios de História Natural de Anfíbios Brasileiros (LaHNAB) e de Sistemas de Informação (LIS), também da Unicamp, desenvolveu um software que identifica os animais pelo som emitido, diferenciando o estímulo vocal emitidos por aves, anfíbios, insetos, répteis ou mamíferos.

“A ideia é que o software seja utilizado tanto por pesquisadores, para a identificação de espécies em campo, como por consultores ambientais, que precisam fazer levantamentos de espécies de animais presentes em uma determinada área, ou ainda pelo público leigo apreciador dos cantos dos animais”, disse à FAPESP Luís Felipe Toledo, professor do Instituto de Biologia da Unicamp.

A pesquisa “Nav Scales: navegando através de escalas no espaço, tempo e domínios do conhecimento”, realizada com financiamento da FAPESP e em parceria com o Microsoft Research, coordenada por Claudia Maria Bauzer Medeiros, professora do Instituto de Computação da Unicamp, desenvolveu o software Wildlife Animal Sound Identification System (WASIS), que ainda está em versão beta e pode ser baixado gratuitamente aqui.

Os pesquisadores ressaltam que foi possível fazer um software do tipo analisando as diferentes frequências e potências no canto dos animais. Toledo explica que cada animal canta em uma frequência e em um volume específico: “Isso é resultado da seleção natural e sexual. Há animais que só cantam na faixa de frequência de 2 quilohertz (kHz), enquanto outros emitem sons sempre na faixa de 4 kHz”, diz o pesquisador.

Para fazer o reconhecimento, o software capta o áudio de um animal coletado por um pesquisador, por exemplo. Daí, com a análise do volume de da frequência do sinal captado o software faz uma comparação com o conteúdo dos bancos de dados disponíveis, vendo a compatibilidade do som com a de animais específicos.

Atualmente, a FNJV tem mais de 30 mil fonemas de animais armazenados. É o maior banco de dados do tipo na América do Sul. Além desses 30 mil arquivos, obtidos em sua maioria pelo ornitólogo francês Jacques Vielliard – professor da Unicamp falecido em 2010, que dá nome à Fonoteca – mais 10 mil arquivos de áudio estão na fila de digitalização, para serem incorporados à coleção.

A diversidade do acervo do FNJV foi essencial para possibilitar o desenvolvimento do software. “Temos muitos registros de difícil identificação, porque não dispomos de dados como a espécie, a data, a hora e o lugar onde foram coletados”, disse  Leandro Tacioli, técnico da FNJV e participante do projeto de desenvolvimento do software. “O software pode facilitar esse trabalho de identificação e auxiliar a identificação de espécies em gravações feitas hoje por pesquisadores em trabalho de campo”

Além de desenvolver o software, a equipe liderada por Luís Felipe Toledo luta para que os registros audiovisuais de animais sejam depositados em coleções científicas a fim de preservar e possibilitar o acesso a eles. Em janeiro, Toledo publicou na revista Science, junto com Cheryl Tipp, curadora de sons de vida selvagem e meio ambiente da British Library, de Londres, e Rafael Márquez, pesquisador do Museo Nacional de Ciencias Naturales de Madri, uma carta solicitando o arquivamento desses registros de áudio, a exemplo do que já acontece, por exemplo, em pesquisas sobre sequências de DNA: o material genético mapeado sempre é enviado para um banco de dados de acesso aberto, como o GenBank, por exemplo.

“Estamos sugerindo que os editores das revistas científicas passem a exigir o depósito de registros audiovisuais realizados durante as pesquisas em fonotecas, museus ou qualquer banco de dados de acesso aberto on-line, para possibilitar o acesso a esses dados. Esses registros audiovisuais geram dados importantes e são de fundamental importância tanto para a conservação como para o avanço do conhecimento sobre a biodiversidade”, avaliou Toledo.

Abaixo, a reportagem  da Agência Fapesp em vídeo:

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