#Cientwistas – Mae Carol Jemison

Por Victor Caparica

Nas últimas semanas falei de cientistas que viveram há séculos. Hoje vou contar a história de uma que ainda tá vivíssima.

Mae Carol Jemison, de quem a maioria de vocês nunca ouviu falar, nasceu em 17 de Outubro de 1956 no Alabama, EUA. Ela é negra, e essa informação é importantíssima no contexto de sua história.

Filha mais jovem de um supervisor de manutenção e uma professora do ensino fundamental, ela cresceu em Chicago desde criança. Lá, ainda pequenininha, ela enfiou na cabeça, vejam só, que queria ir pro Espaço. Sim, o espaço sideral, lá fora, no vácuo. Ela conta que pequenininha concluiu que era mais fácil virar astronauta do que esperar por um OVNI na plantação de milho.

Na escolinha, quando a professora perguntou o que ela queria ser, ela respondeu “Cientista!”. “Hmm, não seria melhor enfermeira?” Perguntou a professora. “Não, não, cientista mesmo”, disse a menininha.

Com 11 anos de idade ela começou a fazer aulas de dança. Guardem isso, é algo importante pra ela. Com 16 ela entrou para a Stanford, porque ela era foda, e saiu de lá formada em Estudos Africanos, Engenharia Química e Medicina. E sim, ela ralou MUITO para fazer isso tudo sendo mulher e negra, sofreu todo tipo de discriminação e preconceito. Mas se formou.

Uma das maiores inspirações de sua vida, ela conta, foi o discurso de Martin Luther King Jr. I have a dream. Para ela, aquilo não era um discurso filosófico e reflexivo, era um chamado à atitude, à luta diária por igualdade.

Ela serviu no Exército da Paz como médica voluntária em Serra Leoa e na Libéria, países devastados pela pobreza.

Daí quando voltou pros EUA, bem, ela foi lá e abriu… um estúdio de dança! E produziu e coreografou vários shows de Jazz e música africana, porque nessa altura ela já dançava MUITO bem. Isso, é claro, enquanto trabalhava no Centro de Controle de Doenças desenvolvendo várias pesquisas sobre vacinas.

Daí em 1983 a primeira astronauta norte-americana, Sally Ride, ficou famosa, e lembrou a Dra. Jemison de um sonho de infância. Mas, segundo a Mae, quem inspirou ela a ir se inscrever na NASA foi uma atriz negra chamada Nichelle Nichols.

A Nichelle interpretou a Tenente Uhura, na série Star Trek, onde também fez o primeiro beijo entre branco e negro da TV americana. Star Trek. Anote isso também. É importante.

A Dra Jemison foi reprovada no primeiro teste, mas em 1986 ela passou, e entrou pro programa de treinamento da NASA. Em Setembro de 1992 Mae Jemison realizou seu sonho de infância e se tornou a primeira mulher negra no espaço, especialista na missão STS-47.

Daí vocês pensam, bom, agora deu, né? Virou astronauta, pronto. Pronto nada. Para o desespero da NASA, em Março de 1993 ela enfiou na cabeça que quer saber duma coisa? Cansei de ser astronauta! E foi trabalhar com divulgação científica, dança e pesquisa em cultura e interação social. A NASA, que investiu uma nota lascada na formação dela, achou isso uma merda, mas iam fazer o que, né?

Hoje? Bem, hoje ela trabalha basicamente com duas coisas.

Primeiro, ela dedica parte substancial de seu tempo a dançar, coreografar e dar aulas de dança, com quase 60 anos.

Segundo, ela criou e sustenta o Jemison Group e a Dorothy Jemison Foundation (nome de sua mãe). A Dorothy Jemison Foundation trabalha pela inclusão de mulheres negras nas escolas, universidades e grandes empresas.

Mas e Star Trek? O que que tinha Star Trek com isso?

Em 1993, Mae Jemison foi convidada a participar de um episódio da série Star Trek: The Next Generation, como a Tenente Palmer. Ela foi a primeira astronauta de verdade a fazer algum personagem na série.

E essa, pessoas, é Mae Carol Jemison, a primeira astronauta negra e uma das mais importantes divulgadoras da ciência na atualidade.

“Muitos não percebem a conexão entre ciência e dança, mas eu considero ambas como expressões da criatividade infinita a ser compartilhada”
Mae Carol Jemison

Para acessar outros textos da série #Cientwistas, clique aqui.

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Uma resposta para #Cientwistas – Mae Carol Jemison

  1. Izabel disse:

    Estou amando o blog e em especial a série #Cientwistas. O Além do laboratório traz conteúdo sobre tanta coisa e tanta gente incrível e inspiradora que não conhecia. Obrigada pelas postagens maravilhosas =)

    Curtir

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