#Cientwistas – Clair Paterson

Por Victor Caparica

Vou contar pra vocês a história de um cara que salvou mais vidas do que a gente saberia contar, e cujo nome quase ninguém conhece. O nome desse sujeito era Clair Cameron Paterson, ele era químico e viveu em Illinois no começo do século passado.

Nos anos 40 ele começou a trabalhar pra um geólogo chamado George Tilton, na Caltech, num projeto pra descobrir a idade da Terra. Juntos eles desenvolveram a técnica de datação geológica através do decaimento do urânio em chumbo, algo que ocorre numa taxa constante. Com isso, após uma série de problemas para garantir a pureza do laboratório, eles chegaram no número que temos até hoje, 4,5 bilhões de anos.

Mas não foi assim que ele salvou incontáveis vidas, mas sim lidando com esse problema de pureza no laboratório. Acontece que toda medição que ele tentava fazer dos níveis de chumbo nas amostras de meteoritos que obtinha dava erros enormes. Erros de a quantidade de chumbo encontrada ser tipo 200 vezes o esperado, claramente um problema de contaminação no laboratório.

Ele trocou de laboratório, limpou o tanto que dava, usou tudo que era método pra evitar contaminação, e nada, os níveis de chumbo continuavam enormes. Daí ele descobriu que o chumbo estava na atmosfera, no ar que as pessoas respiravam, e foi investigar isso pra saber o motivo.

A princípio pensava-se que era só uma questão natural, que era um ciclo químico da Terra e que assim sendo não poderia ameaçar a vida. Porque se é um ciclo natural ele está aí há muito tempo, e a gente também, e em tese deveria estar tudo em equilíbrio.

Só que esse sujeito, Clair Paterson, foi buscar amostras no fundo do mar, e descobriu que lá os níveis de chumbo eram 80 vezes menores. Opa, então tem alguma coisa soltando chumbo só na atmosfera! E não deve ser natural, do contrário teria tido tempo pra invadir os oceanos.

De fato tinha, e ele descobriu o que era. A indústria do petróleo na época adicionava tetraetilchumbo na gasolina, para maior octanagem. Isso estava liberando quantidades colossais de chumbo na atmosfera, e o Clair Paterson foi o sujeito quem provou que isso era nocivo à saúde.

Depois de uma treta com a indústria do petróleo, finalmente ficou estabelecido que não haviam níveis seguros para chumbo no corpo humano. E a adição de tetraetilchumbo na gasolina foi proibida praticamente no mundo todo, sendo substituído pelo álcool anidro.

E foi assim que esse cientista, Clair Cameron Paterson, salvou as vidas de incontáveis pessoas cuja grande maioria desconhece seu nome.

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